eu não penso, eu escrevo

25 de outubro de 2010

o simples torna ele demais ... ♪

ele é um daqueles caras que não chamam a atenção de uma garota por ser lindo, ou por ser forte ou por fazer alguma coisa que os outros caras não fazem. ele não tem a menor vocação pra príncipe encantado, é desajeitado e fala pouco. ele não tem uma beleza incomum, ele não domina vários idiomas e nem é pop.
talvez passe pela sua cabeça agora: então o que ele tem de diferente ?
nada. é, nada. ele é só mais um cara tentando viver a vida dele sem chamar atenção. e consegue. pelo menos, conseguia até me conhecer.

foi esse o motivo que me levou a sentar aqui e falar sobre esse cara que não tem nada de diferente - uma coisa que temos de concordar agora, é bastante rara. essa 'simplicidade' dele que me fez ver que ele é muito mais do que eu esperava que fosse. porque, concorde ou não comigo, procuramos pessoas incríveis, com talentos incríveis, com habilidades incríveis - uma idiotice, porque eu não tenho nada de incrível ou de diferente.

e ele, menos. então porque gostei dele ? não sei.
na realidade até sei, acredito que no fundo, no fundo eu não procurava o mágico, o incrível. deve ser porque sempre tive muitas dificuldades de acreditar em contos de fadas -q acho que eu queria o visível, o palpável, o concreto. todo mundo tem um pouco de tomé, penso.

"um dia percebemos que o comum não nos atrai." - mário quintana.
não atrai. e foi nessa minha idéia absurda de encontrar o sobrenatural em alguém que eu descobri o sobrenatural na simplicidade palpável de um ser humano. por isso, ele.

- nossa, até eu me assustei com essa poética -q - passei tanto tempo tentando encontrar um olhar que me fizesse derreter, um sorriso que me arrebatasse e alguém que tivesse uma retórica tão envolvente e persuasiva quanto os protagonistas de novela mexicana, que esqueci de olhar pro lado. é, pro lado. pro garoto que tem o olhar que me lê por dentro e por fora e decifra até o que eu não quero mostrar pra mim mesma, que tem aquele sorriso que é tão lindo que só de ver já dá vontade de sorrir junto e que não sabe falar coisas lindas, não tem o dom da palavra, mas sempre diz a coisa certa na hora certa, mesmo usando exemplos ridículos - como quando vovó morreu e ele disse: pensa assim, Deus olhou pro jardim e puxou a flor mais bonita. - ou não.

vou fechar que eu não tenho mais o que dizer sobre ele com uma frase da minha poetiza preferida, clarice lispector:

"foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita fui a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso.

Um comentário:

pior do que quem fala o que pensa, é quem escreve.