eu não penso, eu escrevo

15 de dezembro de 2010

# uns e outros.

- pra ele, mas ele não sabe.

têm pessoas que quando querem falar sobre alguém vão lá e falam, não rodeiam, não enrolam. eu enrolo. eu nem sei por onde começar, como começar. eu simplesmente não sei como escrever nada e o pior é que eu sei exatamente o que escrever, mas eu não tenho as palavras certas, exatamente. porque gera em mim um cuidado extremo com as palavras que eu vá usar - já que palavras mau interpretadas geram um problema terrível -, que gera uma vontade absurda de que o que eu vá escrever seja interpretado literalmente - e eu mal sei usar a realidade pra me expor, eu sou cheia de metáforas - e a sinceridade, às vezes atrapalha, mesmo camuflada. então eu fico aqui, tendo exatamente o texto todo pronto mas nenhuma palavra no vocabulário que o traduza.

ele me faz rir. - comecei. eu estaria mentindo se dissesse que eu evito dar risadas com ele. aliás, foi essa capacidade de me fazer sorrir tão fácil que me fez confiar nele no dia que eu o conheci - e comprovar pra mim mesma que pouca gente consegue fazer isso de primeira. não me assustei. parecia que eu o conhecia há tempos, as palavras foram surgindo fáceis, os assuntos brotaram. em uma tarde eu sabia mais sobre ele do que em um ano de convivência com meu melhor amigo - e disseram: 'mas você tem mesmo mais facilidade de se abrir com os meninos. conta quantos amigos você tem e quantos deles são mulheres. dá nem três direito.' - verdade. mas não foi por isso que eu saí contando minha vida como se eu tivesse num divã. não sou assim. eu falo do que gosto, do que eu ouço, do que eu faço, mas eu nunca escancaro meus sentimentos assim, de cara. tenho medo, vergonha, sei lá. mas foi diferente, começamos do avesso. primeiro ele soube o que estava acontecendo comigo, depois do que eu ouço, do que eu faço, do que eu gosto - minhas manias, meus ataques, meus dramas, meus medos, minhas viagens - e riu. é, ele riu de mim. o engraçado é que eu fiz, sem querer, o que eu mais odeio: comparei. pensei: 'putz, porque fulano não é assim ?' -qnnn. ridículo, eu sei. na verdade, ele sempre ri de mim. nem esquento mais. às vezes finjo que esquento porque ele finge que se importa, hahá - e todas as vezes que eu começo com o meu 'tô de mau' ele corta com o 'tá nada, pára.' - daí, quem ri sou eu. e o riso vem fácil, não é arrancado - e também não é aquela coisa estúpida, babaca como quando contam uma piada ou fazem alguma brincadeira. é aquela coisa espontânea, livre, inevitável. o estranho é que ele passa por cima, me contraria - ninguém nunca me contraria. o que eu fiz eu fiz e ponto. - como quando eu comprei uma torta de limão e reclamei que o estômago tava doendo - merda de estômago sensível. - e ele disse: 'trabalha numa unidade de saúde e não cuida da própria.' - 'cuido sim.' - 'não cuida.' -Q. morri. nem tive argumentos. fiquei pensando: 'nem meu pai fala assim comigo, quem ele pensa que é ?' - imaginei que ele se importasse e deixei pra lá - às vezes eu lembro disso e fico rindo. não é o que ele diz, o que ele faz, é o jeito dele. é diferente. é muito diferente dos meninos que eu estou acostumada a lidar. não é bruto, não é grosseiro. tem alguma coisa nele que facilita o diálogo, faz perder o medo e é até meio confuso - eu já sou confusa por natureza, né ? e fico sem entender como em tão pouco tempo alguém consegue se tornar tão íntimo. e intimidade é uma merda, todo mundo sabe -Q
mas como eu disse, eu não esquento - com ele não - e quando eu finjo que esquento é porque ele finge que se importa, eu gosto disso. acho engraçado, fofo *-* não tem aquela falta de respeito de quando acontece quando a garota dá liberdade demais à um garoto -qq. e independente das coisas que eu estou acostumada a lidar, eu aprendi muito esses últimos dias - e ele, naquela timidêz toda que ele diz nutrir, é bem mais corajoso e desenvolto que eu em vários sentidos ;s às vezes é meio disperso, às vezes observa demais. e é bem mais forte do que aparenta, ao contrário de mim que aparento ser o que eu não sou D: - e uma das coisas mais importantes que eu aprendi foi que um amigo inesperado, uma conversa surpresa, pode sim fazer um ótimo remendo na alma da gente, é. foi um band-aid. e que comparar pessoas é um crime. pessoas são pessoas e não objetos, eu sempre vi assim, mas não consegui evitar -N, porque magoar ou não as pessoas também é questão de caráter - pelo menos pra mim. a cuiriosidade dele é engraçada - ele insiste bastante até saber, kk'. e eu descobri que existem pessoas com o mesmo senso de justiça que o meu - 'não vai não ou ele vai achar que você não sabe viver sem ele.' - e vivi, fiquei bem- Qn.
talvez eu nunca tenha dito, mas qualquer coisa é só gritar. - eu vou estar aqui.
os amigos não se fazem, não se encontram. se reconhecem.


créditos: izaias.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

pior do que quem fala o que pensa, é quem escreve.